segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

ECOLOGIA DE INSETOS - INSETOS HERBÍVOROS

 ECOLOGIA DE INSETOS - INSETOS HERBÍVOROS


    Mais de 50% das espécies de insetos existentes se alimentam de plantas. Essas espécies de insetos pertencem a somente oito ordens principais, sugerindo quw a evolução da fitofagia possa envolver obstáculos fundamentais para os insetos. Quais são os obstáculos associados à comer plantas? As dificuldades incluem nutrição adequada, problemas com manutenção da água e luta contra evoluções dos vegetais em relação a defesa contra herbivoria com novas defesas físicas e químicas. O tecido vegetal contém concentrações mais baixas de nitrogênio do que o tegumento dos insetos e obter quantidades suficientes de nitrogênio é um problema fundamental para insetos herbívoros. Além disso, as proporções de vários aminoácidos diferem entre os animais e proteínas vegetais e tecidos de insetos tem maior conteúdo de energia do que nas plantas. No geral essas diferenças refletem na baixa assimilação e eficiência de crescimento dos insetos fitófagos em comparação com os insetos predadores (2-38% para os fitófagos  X  38-51% para predadores). 

    Antes que um inseto possa se alimentar das plantas, ele tem que ser capaz de se prender à planta. Os insetos exibem uma infinidade de adaptações para se segurar nas plantas, incluindo tarsos modificados, a capacidade de enrolar folhas e viver dentro do tecido vegetal como os mineiros de folhas, formadores de galha e brocas do caule. Para os insetos que vivem na superfície das plantas como Ortóptera, muitos Lepidópteros e Thysanoptera, há o problema de minimizar a perda de água quando expostos as correntes de ar seco. Esse problema é especialmente agudo porque a maioria dos insetos tem uma alta área de superfície para a relação de volume. As adaptações para evitar perda de água incluem um exoesqueleto a prova d'água (morfológico), enrolando-se em folhas ou produzindo teia (comportamental), reabsorvendo água no intestino grosso (fisiológico). Além das condições ambientais os insetos tem que superar as defesas das plantas. Defesas físicas das plantas incluem folhas duras, tricomas e espinhos, secreções pegajosas e superfícies brilhantes. Já como defesas químicas as plantas podem produzir substâncias químicas como nicotina e compostos que reduzem a digestibilidade dos alimentos como taninos e lignina.


Estratégias de Alimentação de Insetos Herbívoros 

    Existem muitas maneiras diferentes que os insetos fitófagos comem tecidos vegetais. Mais facilmente observados são aqueles que consomem porções de folhas como gafanhotos, grilos, muitos lepidópteros que possuem aparelho bucal mastigador e compartilham de mandíbulas de corte semelhantes. Os insetos mastigadores quando em grande número conseguem desfolhar completamente as plantas hospedeiras. 

    Os insetos sugadores de floema são dominados pelas ordens Hemiptera e Homóptera. Estes incluem insetos conhecidos como pulgões e cochonilhas. O aparelho bucal da sucção são modificados para formar estiletes que penetram no tecido vegetal. Muitos insetos sugadores de seiva são importantes para a agricultura não só porque reduzem o crescimento das plantas mas também porque disseminam fitopatógenos que são capazes de inviabilizar a produção agrícola. 

    Outras espécies de insetos sugadores se alimentam do xilema ao invés do floema. Eles consomem a parte mais pobre em nutrientes da planta e ainda são diversos e abundantes. As cigarrinhas são os herbívoros mais polífagos da classe Homóptera que se alimentam de xilema assim como as cigarras. 

    Outros insetos se alimentam da superfície das folhas como os minadores. Os mineiros de folhas ocorrem em quatro ordens: Coleóptera, Himenóptera, Díptera e Lepidóptera e suas larvas deixam rastros ou manchas características nas folhas enquanto se alimentam. Altas densidades desses insetos reduzem significativamente  a área fotossintética das plantas. Há ainda o grupo dos insetos causadoores de galhas nas folhas, brotos, caule e raízes de suas plantas hospedeiras. Galhas são feitas quando os insetos causam modificações no desenvolvimento  natural das plantas, formando uma câmara em que ninfas e larvas vivem e se alimentam. 

    Outra estratégia importante para se alimentar de plantas é no caso de algumas espécies de coleópteros que se alimentam da madeira de árvores. Esses besouros podem formar extensas galerias nos troncos e normalmente estão associados com fungos oportunistas que colonizam e causam mortalidade nessas árvores. Ainda há insetos que se alimentam de raízes sementes flores e néctar. 









ECOLOGIA DE INSETOS - VARIÁVEIS CLIMÁTICAS

 ECOLOGIA DE INSETOS - VARIÁVEIS CLIMÁTICAS 


    Estuda as interações dos insetos com o meio ambiente e os fatores que influenciam no ciclo de vida desses seres vivos. 

1.Variáveis Climáticas 

    1.1 Temperatura 

    Os insetos são considerados pecilotérmicos, ou seja sua temperatura corporal varia junto com a temperatura do ambiente. Embora alguns insetos como abelhas e mariposas consigam elevar a temperatura através da contração muscular de suas asas, seu metabolismo básico é em função da temperatura do ambiente de modo que quanto mais alta a temperatura, mais rápido as reações metabólicas podem ocorrer. O tempo de desenvolvimento dos insetos é essencialmente recíproco a taxa/velocidade de desenvolvimento, então até determinado ponto quanto maior a temperatura, masi rápido os insetos completam seu ciclo de vida. Ao passo que temperaturas mais altas favorecem o desenvolvimento dos insetos, baixas temperaturas atrasam o desenvolvimento. É importante saber que cada espécie tem uma temperatura ideal de desenvolvimento. 


1.2 Fotoperíodo 

    A duração da luz do dia durante um ciclo dia-noite de 24 horas, conhecido como fotoperíodo, pode não se qualificar exatamente como um fator climático, mas um fator fundamental no desenvolvimento e na ecologia de insetos que vivem em climas sazonais. O comportamento da luz do dia pode ser usado pelos insetos como um sinal ou gatilho para entrar em um período quiescente ou diapausa, no qual virá condições desfavoráveis para se desenvolver, como por exemplo um inverno rigoroso com baixas temperaturas, que pode matar os insetos. 


1.3 Chuva 

    Os efeitos da chuva sobre os insetos podem ser diretos ou indiretos. Uma chuva forte por exemplo pode derrubar os pulgões de uma planta hospedeira ou ainda uma tempestade pode matar vários insetos. A falta de chuva pode causar dessecação e morte. As chuvas sazonais influenciam a maneira pela qual as plantas hospedeiras florescem, crescem e fornecem alimento para os insetos herbívoros e portanto para aqueles insetos em níveis trópicos superiores. A chuva também afeta a umidade, que combinada com temperatura e ventos ditam um microclima local. A própria água é um habitat vital para cerca de 3% de todas as espécies de insetos.

    Em um nível muito simples, muita chuva significa muita água que pode inundar lagoas e lagos, ou causar enchentes e inundações. Tais condições podem aumentar habitats para insetos, ou pode causar problemas extras quando fortes correntes destroem locais onde insetos vivem. Tempestades regularmente levam extensos escoamentos de água nos rios e lagos, causando erosão e alta sedimentação que, por sua vez, podem ter efeitos significativos na distribuição de insetos aquáticos, como mosquitos. 

    Os estágios imaturos de ordens de libélulas (Odonata), efemérides (Ephemenoptero) e insetos da ordem Trichoptera são dependentes de lagoas e riachos assim como miríades de espécies de moscas (Dipteras), besouros (Coleopteros) e insetos da ordem Hemiptera dependem da água por pelo menos parte de seus ciclos de vida. As chuvas afetam os níveis de água e também criam uma série de habitats especializados por exemplo, na Amazônia bambus são cortados por gafanhotos Katydid que ovipositam nas fendas cotadas. Como os brotos crescem rapidamente e atingem uma média de 45 mm de diâmetro, as fendas que foram abertas pela oviposição se abrem numa única abertura e a chuva enche essa cavidade permitindo que uma série de insetos e outros animais colonizam esse ambiente.

*Miríade: coletivo de insetos. 


1.4 Ventos 

    Tal como acontece com a chuva, o vento pode ter uma variedade de influências sobre a ecologia dos insetos. O vento pode transportar insetos por muitos quilômetros para novos habitats e regiões, pode trazer chuva para produzir alimentos, destruir árvores criando  novos habitats e carregar compostos voláteis de um inseto para outro ou de uma planta para um inseto. 

     Muitos inseto realizam enormes migrações cobrindo centenas ou até milhares de quilômetros na ocasião. O recorde do número absoluto de insetos migrando foi realizado por libélulas Aschema bonariensis (Odonata: Aeshnidae), que migrou para a Argentina em enxames contendo cerca de 4 a 6 bilhões de indivíduos com uma biomassa de 4000 toneladas. Algumas espécies movem-se regularmente da europa continental através do canal da mancha ao sul e ao leste da Inglaterra, e alguns , como a borboleta monarca, Danaus plexippus (Lepidoptera: Nynphidae), são conhecidas por fazer todo esse percurso desde a América, atravessando o oceano Atlântico. Sem dúvidas os insetos não conseguiriam realizar essa façanha sem o auxílio das correntes de ar, que permitem eles percorrerem longas distâncias na direção correta. 

    Os ventos também são importantes dispersores de pragas agrícolas como por exemplo as moscas-brancas que são carregadas por quilômetros, infestando lavouras de diversas espécies vegetais de importância socioeconômica. 


2. Alterações Climáticas

    O clima é uma integração complexa de vérios efeitos abióticos, que incluem temperatura, luz do dia, ventos e chuvas. Atualmente é possível construir simulações computadoriais de influências climáticas sobre os insetos e assim prever mudanças em sua densidade e distribuição populacional. Essas previsões incluem a velocidade do vento e temperatura máximas e mínimas. 

    O aquecimento global ocorre devido ao aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera e indica o aumento na temperatura média, que influencia diretamente os insetos fitófagos, devido a fisiologia alterada das plantas hospedeiras. Somando o aumento do gás carbônico com elevações na concentração de ozônio, ocorre diminuição nas precipitações ou seja aumento no período de seca, então os efeitos nas plantas e nos insetos que se alimentam deles pode ser significativo. Diversos estudos foram e são feitos mostrando que o aumento na temperatura média influencia no desenvolvimento dos insetos, podendo afetar positivamente ou negativamente no ciclo de vida, aumentando ou diminuindo as populações das diversas ordens de insetos. 

    














segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

ANATOMIA E FISIOLOGIA INTERNAS DOS INSETOS - APARELHO RESPIRATÓRIO

 ANATOMIA E FISIOLOGIA INTERNAS DOS INSETOS - APARELHO RESPIRATÓRIO


1. APARELHO RESPIRATÓRIO

    A respiração dos insetos ocorre através de um sistema traqueal, diferencial de acordo com o habitat do inseto (terrestre ou aquático). O ar penetra e é eliminado pelo mesmo sistema ou em grande parte pelo tegumento. O oxigênio é obtido da atmosfera e é canalizado nos tubos para alcançar os tecidos, onde é utilizado numa solução aquosa. Em insetos aquáticos e endoparasitos a respiração assume outras variações.

  1.1 SISTEMA TRAQUEAL

    O sistema traqueal é constituído pelos espiráculos, que são estruturas por onde penetra o ar oxigenado; Traquéias e traquéolas que são condutos de ar; sacos aéreos que funcionam como reservatórios de ar. 

    Os espiráculos que se localizam no tórax e no abdome, permitem que ocorra a troca gasosa e são o local mais importante de perda de água. Normalmente os insetos possuem espiráculos em pares. Um espiráculo funcional é formado por: 

- Peritrema: esclérito anelar

- Átrio ou vestíbulo: região especializada que leva à abertura do espiráculo. Sua parede é provida de pelos que auxiliam a reduzir a perda de água e previne a entrada de corpos estranhos como poeira e outras partículas para o interior da traquéia e o aparelho de oclusão


- Aparelho de oclusao: possui um ou mais músculos associados à partes cuticulares que, ao fechar a abertura externa do espiráculo, impede a perda excessiva de vapor d'água.


    De acordo com o número e arranjo dos espiráculos funcionais, é possível classificar os sistemas respiratórios como: 

- Halopnêutico: estão presentes 10 pares funcionais nos segmentos citados. Ex.: Gafanhotos.

- Hemipnêustico: um ou mais pares de espiráculos não são funcionais. São subdivididos em: 

        - Peripneustico: quando estão abertos os espiráculos protoráxicos e abdominais e os do                               metatóraxfechados, como nas lagartas e Hymenoptera.

        - Propnêustico: quando somente os espiráculos protoráxicos estão abertos, como em pupas de                    pernilongos.

         - Anfipnêustico: quando somente estão abertos os espiráculos protoráxicos e abdominais                            posteriores como na maioria das larvas de dípteros. 

         - Metapnêustico: quando somente o último par abdominal está aberto, como nas larvas de                         Culcidae.

- Apnêustico: Não possui espiráculoas funcionais, sendo totalmente fechado, entrando o ar apenas por difusão através da superfície do corpo.

- Hipopnêustico: um ou mais pares de espiráculos desaparecem completamente havendo entretanto alguns pares funcionais como nos tripes. 


    As traquéias são tubos elásticos que possuem uma cobertura chamada endotraquéia ou íntima, que é engrossada para formar uma estrutura especial, cahamada tenídia. A tenídia tem formato espiral que permite a livre passagem do ar. A endoderme cobre a tenídia e a membrana basal é a camada mais externa da traquéia. 

    As traquéolas são as últimas ramificações do sistema traqueal. No interior delas contém um líquido conhecido por fluído traqueolar que penetra nas células para transportar oxigênio. 

    Os sacos aéreos são partes da traquéia dilatados em várias partes do corpo para formar vesículas de paredes finas. A principal função dos sacos aéreos são aumentar o volume de ar oxigenado que é tomado quando são feitos os movimentos respiratórios.


1.2 VENTILAÇÃO

    É o processo em que o ar é levado no sistema traqueal e circulado pelo corpo.

  •  Ventilação direta: 

         Compreende a circulação de ar nas traquéias em três fases. São as três fases:

      - Aspiração: O ar é admitido no sistema traqueal, alcançando apenas os grandes troncos. 

      - Compresão: músculos abdominais promovem o achatamento, retração e expansão dorsoventral. O          ar vai enchendo os sacos aéreos que se expandem devido ao aumento momentâneo de pressão.

      -  Expiração: O ar é expelido pelos espiráculos posteriores e o gás carbônico resultante do metabolismo celular 


  • Ventilação indireta: 
    Ocorre nas traquéolas através do fluído traqueolar , onde o oxigênio é absorvido.        














    

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

ANATOMIA E FISIOLOGIA INTERNA DOS INSETOS - SISTEMA CIRCULATÓRIO

1. ANATOMIA E FISIOLOGIA INTERNA DOS INSETOS - SISTEMA CIRCULATÓRIO


    O sistema circulatório dos insetos atua como um meio de trocas químicas entre os órgãos do corpo, funcionando no transorte de materiais nutritivos , produtos de excreção, hormônios etc. O meio circulante se chama hemolinfa e funciona também como fluido hidráulico para transmissão e manutenção da pressão do sangue durante a eclosão e a ecdise por exemplo. 


1.1 ESTRUTURA GERAL DO APARELHO CIRCULATÓRIO

    O aparelho circulatório consta do vaso dorsal e dos órgãos pulsáteis acessórios. O vaso dorsal apresenta um tubo simples, fechado em sua extremidade anterior, formado por fibras musculares envolvidas por uma cobertura de tecido fibroso. O vaso se estende por todo o corpo do inseto e é comumente dividido em duas partes: a posterior, o coração e a anterior, a aorta. O coração é composto por várias câmaras, que aparecem em consequência da presença de válvulas ostiolares. Essas válvulas impedem a volta da hemolinfa do vaso dorsal para a cavidade geral do corpo. A aorta não possui propriedades de contração e se abre diretamente na cabeça, sendo o cérebro livremente banhado pela hemolinfa. Através dos órgãos pulsáteis acessórios do aparelho circulatório é possível a circulação da hemolinfa que irriga os apêndices como antenas, asas e pernas. 



    



ANATOMIA E FISIOLOGIA INTERNA DOS INSETOS - APARELHO DIGESTIVO E SISTEMA DE EXCREÇÃO

ANATOMIA E FISIOLOGIA INTERNA DOS INSETOS - APARELHO DIGESTIVO E SISTEMA DE EXCREÇÃO


1. APARELHO DIGESTIVO E SISTEMA DE EXCREÇÃO

    Quando falamos de sistema digestivo logo relacionamos com a alimentação. No mundo dos insetos há uma grande diversidade de alimentos e cada espécie tem um hábito diferente. Os insetos podem se alimentar de folhas, frutos, madeira, xilema, lã, penas de aves etc., para obter as fontes energéticas (carboidratos, proteínas, lipídeos e vitaminas essenciais). Os insetos com aparelho bucal picador- sugador, e lambedor, se alimentam de líquidos como o xilema das plantas néctar, sangue de animais, entre outros já insetos com aparelho bucal mastigador se alimentam de sólidos como matéria orgânica (madeira, excremento de outros animais, resto de alimentos humanos, frutas, folhas...etc.). Assim como há diferenciação no aparelho bucal, dependendo do tipo de substrato que o inseto consome, também há adaptações no sistema digestivo. 


1.1 ESTRUTURA GERAL DO APARELHO  DIGESTIVO 

    Insetos que se alimentam de sólidos apresentam um tubo digestivo largo, reto e curto com musculatura desenvolvida e obviamente com proteção contra ferimentos mecânicos. Insetos que se alimentam de líquidos tem tubo digestivo longo, estreito e com dobras para permitir o máximo de contato com o alimento líquido e nesse caso não há proteção contra ferimentos. A maior especialização de insetos que se alimentam de seiva de plantas é a câmara-filtro, um estrutura que retira o excesso de água para concentrar os nutrientes e substâncias ingeridas antes da digestão, presentes em insetos da ordem Hemiptera (cigarras e cigarrinhas). 

    O tubo digestivo ou canal alimentar percorre o corpo do insto no sentido longitudinal até o ânus. O tubo digestivo é dividido em estomodeu, proctodeu e mesêntero, sendo que o mesêntero e o estomodeu são separados pela válvula cardíaca e o mesêntero  e o proctodeu são separados pela válvula pilórica. 

    O estomodeu se inicia na cavidade oral e termina na vávula cardíaca e é dividido em faringe, esôfago e papo ou inglúvio onde o alimento é armazenado por algum tempo e sofre as primeiras transformações sob ação de enzimas digestivas. Ainda no estomodeu, o papo se liga ao proventrículo ou moela, uma porção um pouco dilatada com rugas ou dentes quitinosos que conferem a função trituradora, muito importante para os insetos mastigadores. A válvula cardíaca que separa estomodeu de mesêntero impede que o alimento retorne. Os músculos presentes no estomodeu exercem movimentos de contração, chamados de peristálticos que auxiliam no processo de digestão.

    O mesêntero possui duas porções: o ventrículo, que lembra um saco alongado ou um tubo e os cecos gástricos que são estruturas no formato de bolsas. No ventrículo a digestão iniciada no estomodeu se completa, com ação ezimática, quase todos os nutrientes são assimilados . Os cecos gástricos são divertículos que mantém bactérias e microrganismos de tubo digestivo produtores de enzimas, vitaminas etc. O mesêntero termina na vávula pilórica que se comunica com o proctodeu, última porção do tubo digestivo. Assim como no estomodeu os músculos desempenham papel importante na digestão, direcionando os alimentos para o proctodeu através de movimentos peristálticos. 

    O proctodeu é a parte posterior do tubo digestivo,inicia-se após a válvula pilórica e termina no ânus, por onde os excrementos são eliminados. O proctodeu é dividido em íleo, reto e ânus. No reto localizam-se as glândulas retais, que reabsorvem água e nutrientes antes do excremento ser evacuado. A reabsorção de água é essencial para a sobrevivência dos insetos terrestres, que muitas vezes vivem em ambientes que tem pouca disponibilidade de água. As 3 camadas de músculos presentes no proctodeu, favorecem a evacuação. 

    Os tubos de Malpighi são os principais órgãos de excreção dos insetos. São muito finos e possuem a extremidade fechada e a basal aberta, em contato com a parte anterior do proctodeu. Eles tem função excretora, atuando como reguladores da composição da hemolinfa, de forma semelhante a que os rins dos mamíferos desempenham, retirando produtos metabólicos como sais e resíduos nitrogenados na forma de ácido úrico. A excreção de ácido úrico é adaptada as necessidades de conservação de água nos insetos, pois é eliminado na forma sólida.  




ANATOMIA INTERNA E FISIOLOGIA DOS INSETOS - TEGUMENTO E ECDISE

 1. ANATOMIA INTERNA E FISIOLOGIA - TEGUMENTO E ECDISE 

A anatomia interna e fisiologia explicam a forma e o funcionamento dos órgãos, sistemas e aparelhos. Para compreender anatomia e fisiologia, estuda-se o tegumennto, aparelho digestivo e sistema de excreção, aparelho circulatório, respiratório, reprodutor, nervoso, órgãos sensoriais, sistema muscular e glandular. 


1.1 TEGUMENTO OU EXOESQUELETO

    Serve de interface entre o inseto e o meio ambiente. As principais funções do tegumento são: promover proteção  mecânica, química e biológica, evitar peda excessiva de água, possibilitar sustentação de músculos e órgãos e servir de ponto de ligação às pernas, asas e demais apêndices. 


1.2 ESTRUTURA GERAL DO TEGUMENTO

    O tegumento é dividido em: 

  • Membrana basal: camada de polissacarídeos secretada por células sanguíneas 

  • Epiderme: camada de células poligonais e epiteliais secretoras, intremeadas com células especializadas de vários tipos. A epiderme é responsável pela formação de toda a cutícula

  • Cutícula: é formada pelo material secretado da células epidérmicas e depositado na superfície externa, que se solidifica, formando o exoesqueleto. A cutícula se divide em epicuticula ou cutícula não quitinosa, procutícula ou cutícula quitinosa. 
                             - Epicutícula: camada de polifenóis e ceras, derivadas de células epidérmicas. Não há                                                          presença de quitina e tem função de proteção contra a desidratação                                                                principalmente durante a ecdise.

                              - Procutícula:  É composta pela exocutícula e endocutícula, tendo ambas em sua                                                              composição a quitina, combinadas ao complexo proteico, que                                                                    confere dureza e rigidez características dos insetos. 








1.2.1 ECDISE

    É o processo em que ocorre a mudança do tegumento dos artrópodes, com controle hormonal. Durante a ecdise as células epidérmicas se tornam aumentadadas  e se separam da cutícula velha, através de processos citoplasmáticos. 

    inicialmente, ocorre a separação da epiderme do exoesqueleto. Células da epiderme passam a sofrer sucessivas mitoses e tornam-se altas devido à intensa atividade metabólica em seus citoplasmas. Então, já tem início a produção do exoesqueleto novo (representado por sua epicutícula) no estreito espaço surgido entre a epiderme e a porção mais basal da endocutícula do exoesqueleto velho.

    Essa epicutícula é permeável tanto à passagem das enzimas proteolíticas produzidas pela epiderme como aos componentes que estão no líquido exuvial e sujeitos a reabsorção pelo animal para incorporação ao exoesqueleto novo em produção; outros tantos elementos do líquido exuvial acabam caindo na hemolinfa.

    A endocutícula do exoesqueleto velho vai sendo progressivamente digerida enquanto a pró-cutícula nova vai sendo secretada. Esse antagonismo persiste até ocorrer a muda. O espaço existente entre os dois exoesqueletos é preenchido pelo líquido exuvial (composto de água + enzimas proteolíticas secretadas pela epiderme + componentes da endocutícula do exoesqueleto velho que está sendo digerido, como as moléculas de quitina).

    Ao final da muda, o exoesqueleto novo está formado em sua grande parte, o exoesqueleto velho está relativamente fino e bastante frágil ao longo das linhas de fratura, mas nada é notado externamente no animal, que continua ativo, alimentando-se, locomovendo-se etc. Toda a intensa atividade metabólica (evidenciada pelo aumento do número de corpos celulares na hemolinfa na pós-muda, em operação no corpo do animal, está mascarada pela presença do exoesqueleto velho que permanece aparentemente intacto, inalterado.



        Ecdise de uma cigarra






                              
                            

MORFOLOGIA EXTERNA DOS INSETOS - TÓRAX E ABDOME

 MORFOLOGIA EXTERNA DOS INSETOS 


1. TÓRAX

        É a segunda região do corpo do inseto, que apresenta os apêndices locomotores dos insetos, as pernas e asas. O tórax é formado por 3 segmentos, sendo eles o protórax que está unido a cabeça, o mesotórax segmento mediano e o metatórax que se liga ao abdome. No protórax é possível observar o primeiro par de asas e há ausência de asas. 

    No mesotórax e metatórax em cada um deles, geralmente  há um par de asas e um par de pernas. Na fase adulta todos os insetos possuem seis pernas e em relação a presença de asas podem ser ápteros (não terem asas), dípteros(duas asas) e tetrápteros (quatro asas). 

    O corpo dos insetos é revestido por uma camada quitina, que forma o exoesqueleto e confere proteção aos insetos. Essa camada de quitina não é contínua, se tornando flexível e membranosa nas articulações e espessa nas demais partes.


1.1 PERNAS 

    São apêndices locomotores terrestres ou aquáticos. As pernas além da locomoção são adaptadas para escavar o solo, coletar alimentos, realizar predação etc. Em cada segmento torácico há um par de pernas. 

1.1.2 ESTRUTURAS DE UMA PERNA TÌPICA

  • Coxa: é curta e grossa, articulando-se ao tórax por meio da cavidade coxal
  • Trocanter: segmento curto entre a coxa e o fêmur. 
  • Fêmur: Parte mais desenvolvida, fixando-se ao trocanter e às vezes diretamente à coxa. 
  • Tíbia: Segmento quase tão longo quanto o fêmur e pode apresentar espinhos e esporões 
  • Tarso: Porção articulada, costituída por artículos denominados tarsômeros que variam de 1 a 5.  


1.1.3 TIPOS DE PERNAS 

  • Ambulatórias: sem modificação em nenhuma das partes, próprio de quase todos os insetos e são adaptadas para andar ou correr. Geralmente as pernas protorácicas são mais curtas , as mesotorácicas medianas e as metatorácicas mais longas. è o tipo de pernas das baratas, moscas, diversos besouros, borboletas e mariposas, formigas ente outros. 

  •  Saltatórias: tem o fêmur e  a tíbia bastante desenvolvidos e alongados, funcionando como uma alavanca que impulsiona o inseto para frente. Gafanhotos, grilos , esperanças, pulgas e alguns besouros possuem pernas posteriores desse tipo. 

  • Natatórias: pernas adaptadas para insetos de hábito aquático, com adaptação mais acentuada nos tarsos posteriores, que assumem a forma de um remo. O fêmur, a tíbia e o tarso são achatados e geralmente tem a margem com pêlos que ajudam a locomoção na água. Baratas d'água e besouros aquáticos possuem pernas natatórias.

  • Prensoras: possui o fêmur desenvolvido com um sulco, onde se aloja a tíbia recurvada. Servem para prender as presas (insetos ou outros animais) entre o fêmur e a tíbia. É o primeiro par de pernas das baratas d1água. 

  • Raptatórias: o fêmur e a tíbia são adaptados com dentes e espinhos para apreender as presas, geralmente outros insetos. São as pernas anteriores dos louva-a-deus. 

  • Fossoriais ou escavatórias: tarso modificado ou tíbia em forma de lâmina larga e denteada para escavar o solo. São pernas de insetos com hábito subterrâneo. 

  • Escansoriais: tíbia e tarso com um formato específico para agarrar o pelo ou cabelo do hospedeiro, para sua fixação. São os 3 pares de pernas dos piolhos hematófagos.

  • Coletoras: servem para recolher e transportar os grãos de pólen. 

  • Adesivas: modificação de alguns tarsômeros das pernas anteriores que são dilatados e pilosos, formando uma ''ventosa''. 







1.2 ASAS

   1.2.1 TIPOS DE ASAS

  • Membranosas: asa fina e flexível com as nervuras bem distintas. A maioria dos insetos possuem assas desse tipo. Pode ser coberta por pelos ou escamas. 

  • Tégmina: asa anterior com aspecto pergaminhoso ou coriáceo e normalmente estreita e alongada.

  • Hemiélitro: possuem uma parte basal dura e uma parte apical flexível onde estão as nervuras. Típica dos percevejos.

  • Élitro: asa anterior dura, que recobre a asa posterior do tipo membranosa. Típica dos besouros e tesourinhas.

  • Balancins ou halteres: as asas  anteriores são atrofiadas e as anteriores são do tipo membranosa. Possuem a função de equilíbrio do inseto. Moscas, butucas, pernilongos, varejeiras possuem balancins.

  • Franjada: asa alongada com longos pelos na laterais. Tripes , microcoleópteros, microimenópteros tem asa franjada.

  • Lobada: a margem da asa acompanha as nervuras formando lobos, parecendo que a asa foi partida ou dividida. Microlepidópteros possuem asa lobada.











Asa franjada de um tripes





Asa lobada




2. ABDOME


    É a terceira região do corpo dos insetos, que se caracteriza pela segmentação típica, simplicidade de estruturas e ausência de apêndices locomotores nos adultos. Apesar da aparência simples, o abdome é uma região onde contém as víceras e onde ocorre os movimentos respiratórios (espiráculos).
    Em fase larval (lepidópteros) ou ninfa algumas espécies possuem pernas abdominais para auxiliar na locomoção, mas na fase adulta são inexistentes. 

2.1 TIPOS DE ABDOME 


  • Sésil ou aderente: Abdome se liga ao tórax em toda sua largura. Ex.: baratas , gafanhotos, besouros.

  • Livre: Constrição pouco evidente na união do abdome com o tórax. Ex.: moscas, abelhas, borboletas.

  • Pedunculado: Constrição evidente no segundo ou terceiro segmento abdominal. Ex.: formigas e vespas


























ECOLOGIA DE INSETOS - INSETOS HERBÍVOROS

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